Dados do iFood revelam que, nos últimos três anos, 3.967 episódios de violência foram denunciados por entregadores no Brasil, o que equivale a quase quatro ocorrências por dia. Casos de discriminação lideram os registros,1.720, seguidos por ameaças,1.189 e agressões físicas (860), praticados por clientes, estabelecimentos ou terceiros. O estado de São Paulo concentra o maior volume de notificações, seguido pelo Rio de Janeiro e por Minas Gerais.
Em resposta aos episódios, o iFood informou oferecer suporte jurídico, psicológico e socioassistencial em parceria com a organização Black Sisters in Law, enquanto outras plataformas, como 99 e Keeta, destacam o uso de botões de emergência, monitoramento de rotas e seguros de acidentes. Segundo levantamento recente do aplicativo GigU, quase 60% dos profissionais já sofreram algum tipo de violência ou assédio durante a rotina de trabalho.
Especialistas em direito explicam que agressões durante entregas são enquadradas juridicamente como acidentes de trabalho. Contudo, na ausência de regulamentação federal específica para apoio psicológico ou vínculo empregatício — tema ainda pendente de decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), a proteção financeira do trabalhador depende principalmente de sua contribuição ao INSS, do seguro obrigatório das plataformas ou de ações judiciais de reparação contra os agressores.
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