Pesquisadores do projeto Primatas Perdidos anunciaram um registro inédito: o primeiro sauá albino (Callicebus nigrifrons) avistado no mundo, encontrado no Parque Estadual do Rio Doce (Perd), em Minas Gerais, a maior área contínua de Mata Atlântica do estado. O achado, feito por meio de drones durante um levantamento populacional, é considerado raríssimo, pois nunca havia sido documentado albinismo na família de primatas neotropicais à qual o sauá pertence.
A bióloga Vanessa Guimarães, uma das fundadoras do projeto, explica que o aparecimento do sauá albino pode ser um sinal de alerta de problemas ambientais crônicos na região. O Parque Estadual do Rio Doce está funcionando como uma "ilha verde" cercada por extensas áreas degradadas devido à expansão urbana, monocultura e atividades agroindustriais históricas. Esse isolamento geográfico afeta drasticamente o fluxo genético dos primatas, elevando a taxa de endogamia (reprodução entre parentes próximos), o que é um fator conhecido por gerar mutações e anomalias genéticas, como o albinismo.
Além dos efeitos da fragmentação de habitat, os cientistas levantam a hipótese de que fatores externos, como a poluição atmosférica e o uso intensivo de agrotóxicos nas plantações vizinhas, também possam estar interferindo na expressão genética desses animais silvestres. O sauá, um primata endêmico e frugívoro (dispersor de sementes), é vital para a regeneração da Mata Atlântica e está classificado como "quase ameaçado de extinção". Este registro incomum reforça a urgência na proteção e conexão das áreas florestais para garantir a saúde genética e a sobrevivência das espécies.
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