Em uma rara admissão pública, o presidente Vladimir Putin reconheceu pela primeira vez que o sistema de defesa aérea da Rússia foi responsável pelos danos que levaram à queda do avião Embraer E-190 da Azerbaijan Airlines, no Natal de 2024, que deixou 38 mortos e 29 sobreviventes. Durante encontro com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, Putin afirmou que o acidente foi resultado de uma interceptação de drones ucranianos, cujos destroços atingiram a aeronave quando ela se aproximava do pouso em Grozni, na Tchetchênia.
Segundo o líder russo, dois mísseis lançados por seu sistema antiaéreo não atingiram o avião diretamente, mas explodiram a cerca de dez metros, após interceptarem equipamentos ucranianos que cruzaram a fronteira russa. Putin prometeu indenizar as famílias das vítimas e o Estado azeri, chamando o episódio de “tragédia que exige responsabilidade e reparação”. A admissão confirma as suspeitas levantadas logo após o acidente por peritos e veículos de imprensa, incluindo registros de sobreviventes que mostravam alertas de ataque aéreo na região.
Com o gesto, Putin tenta reaproximar-se do Azerbaijão, aliado estratégico da Turquia e peça-chave no xadrez energético do Cáucaso. As relações entre Moscou e Baku estavam abaladas desde os conflitos em Nagorno-Karabakh, quando a Rússia perdeu influência na região. O pedido de desculpas e a promessa de compensação representam um movimento diplomático calculado do Kremlin para conter danos políticos e reafirmar sua liderança entre ex-repúblicas soviéticas, enquanto enfrenta o desgaste prolongado da guerra na Ucrânia.
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