No auge de sua importância para o Nordeste, o algodão enfrentou sua decadência nas décadas de 80, quando um minúsculo inimigo, o bicudo, devastou as plantações na região do Araripe, em Pernambuco.
Perfurando botões de flores e frutos verdes, conhecidos como maçãs do algodoeiro, o bicudo provocou prejuízos tão severos que os agricultores se viram forçados a abandonar a cultura do algodão.
Hoje, um projeto inovador, promovido pela ONG Diaconia, vem resgatando o cultivo de algodão na região e, ao mesmo tempo, abrindo novas fontes de renda para os pequenos agricultores do sertão do Araripe. A Diaconia, uma organização não governamental comprometida com práticas sustentáveis no campo, introduziu o sistema de consórcio, onde diferentes espécies são cultivadas em conjunto, sem o uso de agrotóxicos.
Além de incentivar o plantio diversificado, o projeto também optou por uma nova variedade de algodão. Antes da devastação causada pelo bicudo, as lavouras eram perenes, ou seja, não precisavam ser replantadas. Agora, o algodão é cultivado anualmente, com um intervalo de 90 dias entre os plantios. Essa estratégia de rotação torna a vida do bicudo mais difícil na plantação, impedindo sua proliferação.
O compromisso da Diaconia com os agricultores se estende até 2027, quando se espera que eles estejam prontos para seguir adiante de forma independente, mantendo o cultivo do algodão em consórcio com outras culturas.
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