“A educação escolar indígena fortalece a comunidade, fortalece as tradições e
favorece, também, a luta em defesa dos territórios e a garantia de vida para os nossos parentes”. Assim o professor
Orlando Melgueiro da Silva, de 60 anos, do povo Baré, vê a Educação Escolar Indígena.
Ele, que há 30 anos se dedica ao ofício de ensinar Geografia, pela Secretaria de Estado de Educação e Desporto, procura unir os conhecimentos acadêmicos aos tradicionais para levar aos estudantes indígenas e não indígenas o sentimento de pertencimento.
Graduado e pós-graduado em Geogra-
fia, Orlando Baré - como é conhecido - trabalha há 20 anos, especificamente, com a Educação Escolar Indígena e também é membro do Conselho Estadual de Educação Indígena.
Já exerceu a função de professor em comunidades e, atualmente, leciona na Escola Estadual Júlia Bittencourt, na
zona oeste de Manaus.
“Considerando que Manaus é uma cidade onde existem muitas ilhas territoriais na ca-
pital de diferentes povos, os povos que se reúnem se sentem unidos pela cultura, história, tradição e língua, então, eu,
de vez em quando, percorro esses lugares.
O maior desafio para os professores ou para a educação escolar indígena é a formação de professores, nós temos muitos professores que se graduaram e estão pós-graduando nas ciências que não têm muito a ver com a Educação Indígena”, observa Baré.
Para ele, os povos indígenas tiveram conquistas na educação, como a manutenção das línguas maternas, assegurada na Lei de Diretrizes e Ba-
ses (LDB), entretanto, ainda há muito a ser conquistado e muito o que pôr em prática.
“Se eu estudei a Geografia, necessariamente terei de trabalhar na etnogeografia, por
exemplo, mas para trabalhar aetnogeografia são necessárias metodologias específicas
e pedagógicas para trabalhar com as comunidades indígenas. Então, o maior desafio no momento é a preparação, a formação de professores na área de educação indígena.
A mensagem que eu daria para os nossos parentes é a de que educação escolar indíge-
na fortalece”, finaliza Orlando Baré.