A atriz e pesquisadora Correnteza Braba fará história na próxima quarta-feira (29) ao se tornar a primeira pessoa trans a defender uma dissertação no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFAM. A pesquisa, intitulada “Terreiro-Escola na cidade de Manaus”, investiga os processos formativos e as artes no ensino-aprendizagem dentro do terreiro de Omolokô Recanto de Preta Mina Ilê de Iansã. O evento será aberto ao público, às 14h, no miniauditório do IFCHS.
O trabalho utiliza o método da “escrevivência”, conceito de Conceição Evaristo que une a trajetória de vida da autora à produção científica, rompendo com a neutralidade acadêmica. Correnteza analisa como o canto, a dança e a oralidade nos “chãos de terreiros” fundamentam uma educação afrocentrada e resistente. A dissertação também resgata a história de Manaus, pontuando como os terreiros se consolidaram em áreas de favela como territórios de produção de saber e resistência cultural.
Premiada como melhor atriz no Festival de Teatro da Amazônia em 2024 e 2025, Correnteza destaca que ocupar este espaço na universidade pública é um gesto político de reparação histórica. Para a pesquisadora, o objetivo é devolver o protagonismo às populações negras e originárias sob uma ótica amazônida, distanciando-se de modelos eurocêntricos.
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