A ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira afirmou que as interlocuções entre países e os posicionamentos que cada um assume diante das mudanças climáticas não estão descolados de metas de lucro. Ela foi a convidada especial do evento "O Brasil e a COP30", promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A integrante dos governos Lula e Dilma ressaltou que sempre entendeu essa agenda como sendo "de desenvolvimento, não uma agenda ambiental" e que avalia as temáticas relacionadas ao clima como parte da conjuntura geopolítica atualmente estabelecida.
"Não se iludam com o 'vale a pena ver de novo'. Estão todos operando um jogo, sim, de interesses em que o risco climático aparece na equação da estabilidade do sistema financeiro internacional, do custo do dinheiro, do acesso às tecnologias e à divisão do mundo entre a China e os Estados Unidos", disse ela, que esteve à frente da pasta no período de 2010 a 2016.
Antes de fazer uma análise mais profunda, a ex-ministra afirmou que "ninguém no Brasil está tratando publicamente" do contexto como iria fazer a seguir. Destacou que o Acordo de Paris, de 2015, emergiu como o intuito principal de "devolver os Estados Unidos à questão global", uma vez que o país havia se recusado a ratificar o Protocolo de Kyoto, acordo internacional de 1997, e, cinco anos antes, em 1992, aderiu, depois de muita resistência, à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Ambos selavam compromissos relativos às emissões de gases de efeito estufa.
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