O Paraguai pode inaugurar relações diplomáticas com a China para garantir
vacinas contra a Covid-19, informou o jornal “The Japan News”. O país integra o
pequeno grupo de latino-americanos que não têm laços com Beijing, ao lado
de Guatemala e Honduras.
Até agora, Assunção mantém relações com Taiwan – situação que tende a se
reverter caso as negociações com o governo chinês se alinhem. A questão
taiwanesa é primordial para Beijing, que reivindica a noção de “uma só China” ao
negar a independência de Taipé.
A escassez de vacinas já motiva o governo paraguaio a acelerar negociações
pelo acesso às doses chinesas. “Esta é uma situação de emergência, por isso
não estaremos vinculados ao protocolo diplomático”, disse o chanceler Euclides
Acevedo no final de fevereiro. “O importante é obter a vacina”.
O Paraguai vive o maior surto de Covid-19 desde o início da pandemia. O país, de
sete milhões de habitantes, somou 1,9 mil novas confirmações do vírus em apenas um dia – cifra proporcionalmente próxima à do Brasil.
Enquanto outras nações latinas recebem remessas expressivas de vacinas, os
paraguaios só obtiveram quatro mil doses da vacina russa e 20 mil doses
chinesas fornecidas pelo Chile. Santiago, por outro lado, já recebeu oito milhões
de imunizantes da China.
Inserido na iniciativa Covax, o Paraguai deve receber 36 mil doses no primeiro
turno de entregas. Enquanto isso, a disseminação do vírus ganha força: já são
183 mil casos confirmados e pouco mais de 3,5 mil mortes pelo vírus.
A ausência de vacinas e o iminente colapso no sistema de saúde fez com que
centenas de paraguaios fossem às ruas para exigir a renúncia do presidente
Mario Abdo Benitez desde o início do mês.
Paraguai e Taiwan
Experiências semelhantes de intimidação por parte dos gigantes vizinhos
pavimentaram as relações entre Assunção e Taipé em 1957. Enquanto Taiwan
buscava se desvencilhar da China, o Paraguai ainda vivia efeitos da guerra contra
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