No cenário geopolítico pós-tragédia aérea que vitimou Evgeny Prigozhin, líder do Wagner Group, em 23 de agosto, a influência da controversa organização paramilitar russa continua a ser uma peça-chave na estratégia financeira da Rússia.
Pesquisadores, liderados pela analista política Jessica Berlin, revelam em um estudo inédito intitulado "O Relatório do Ouro de Sangue" que Moscou acumulou cerca de US$ 2,5 bilhões desde o início da guerra na Ucrânia, provenientes de acordos de segurança com nações africanas e exploração de ouro.
A presença cada vez mais marcante da Rússia na África está diretamente relacionada aos compromissos de segurança envolvendo o Wagner Group. Essa crescente influência não apenas redefine as relações geopolíticas, mas também levou a uma ruptura significativa entre governos africanos e parceiros ocidentais, notavelmente a França. O relatório destaca a suposta autonomia do Wagner Group em relação ao governo russo, permitindo que o Kremlin se distancie de acusações graves, como homicídios, estupros, torturas e crimes de guerra. Contudo, o estudo argumenta que esse distanciamento não condiz com a realidade.
"O Wagner sempre operou com o apoio político e material da Federação Russa para promover os interesses do Estado russo", afirma o relatório, que evidencia a presença da organização no continente africano desde 2017.
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