A leucena (Leucaena leucocephala) e a murta (Murraya paniculata), embora pareçam inofensivas, representam sérias ameaças ao meio ambiente e à agricultura em Campo Grande (MS). Por isso, ambas estão na mira de medidas legais que preveem sua eliminação do território urbano. A leucena, introduzida no Brasil nos anos 1970 como alternativa de alimentação para o gado, é originária do México. De acordo com o especialista em ecologia e arborização Milton Longo, a planta se espalhou rapidamente por Mato Grosso do Sul e outros estados, invadindo áreas naturais e sufocando a vegetação nativa.
Essa capacidade de dominar o ambiente ocorre principalmente pela liberação de uma substância chamada mimosina, que inibe a germinação e o crescimento de outras espécies ao redor. “Ela é muito agressiva, tem um crescimento muito rápido e se espalhou por todos os fundos de vale em Campo Grande porque cresce rápido, domina o ambiente e forma essas florestas únicas”, explica Longo.
A bióloga Gisseli Giraldelli, diretora da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, reforça o alerta: “Uma área que sofre a invasão das leucenas perde toda a biodiversidade e vira aquilo que a gente chama de deserto verde. Aparentemente você olha, fala ‘tá lindo, né, tá verdinho, tem uma mata ali’, e quando você chega lá é toda de uma espécie só. Então ela ameaça a fauna e a flora como um todo”. Por causa desse impacto ambiental, a Lei Municipal nº 7.418, sancionada em junho deste ano pela prefeita Adriane Lopes (PP), tornou obrigatória a erradicação da leucena em Campo Grande.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.