Ao longo de quase um século, o indígena Amoim Aruká Juma viu o decréscimo de sua família. O sobrenome Juma representava sua tribo. No entanto, do século 18 até os dias atuais, a estimativa de existência de 15 mil jumas foram decaindo até o guerreiro Aruká ser o último restante.
Dados do The New York Times apontam que, desde a primeira estimativa da tribo localizada no coração da Amazônia, diversos desastres naturais, doenças e principalmente, ações criminosas realizadas por exploradores do local — seringueiros, madeireiros e mineradores — resultaram em milhares de mortes.
A estimativa mais preocupante até então surgiu em 1964, quando restaram apenas seis jumas após um massacre. Um deles era Amoim Aruká, que não apenas perdurou até 17 de fevereiro de 2021, como passou os anos finais disseminando a cultura como o último ser humano remanescente de sua tribo.
O título final surgiu em 1999, após a morte de seu cunhado. Desde então, também se tornou o último falante fluente da língua indígena, visto que compôs sua aprendizagem nativa.
Além da compreensão, Amoim era o último que poderia disseminar as tradições e rituais da tribo, tendo a idade estimada entre aproximadamente 86 e 90 anos, como informa a BBC.
Os esforços conseguiram aumentar a vida da cultura Juma, tendo três filhas, porém, sem nenhum homem restante, uma união conseguiu salvar outra tribo além dos jumas; a tribo Uru Eu Wau Wau, de Rondônia, que casou com as filhas do guerreiro e, por fim, gerou filhos com etnias mistas.
Visto que os netos carregam as duas origens no sangue, algumas cerimônias foram arranjadas para que a benção Juma fosse obtida, como cobriu a equipe da Rede Amazônica, afiliada local da TV Globo, em um casamento da neta Tejuvi Juma.
Conforme divulgado pelo neto Puré Juma Uru Eu Wau Wau, o guerreiro Amoim Aruká foi uma das vítimas fatais do novo coronavírus. O último Juma nativo estava internado em um hospital em Porto Velho, capital de Rondônia, que ficava a cerca de 120 quilômetros de estrada e mais duas horas de barco da aldeia onde as famílias foram unidas, como informou o jornal El País.
Dados da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) apontam que o alcance da covid-19 em regiões indígenas, como ocorreu com os jumas, não foram exclusivos; outros 18 povos foram afetados, somando mais de 2 mil casos e, até 17 de março, 44 óbitos.
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