Capivaras, os maiores roedores do mundo, têm sido uma presença marcante na cultura e na culinária sul-americana. Apesar de sua natureza dócil e de serem facilmente avistadas em ambientes urbanos, esses animais são considerados silvestres e o contato próximo deve ser evitado. No entanto, sua presença constante nas margens de lagos e rios tem proporcionado uma oportunidade peculiar durante a Quaresma para os católicos sul-americanos.
Há séculos, a Igreja Católica estabeleceu restrições ao consumo de certos tipos de carne durante o período da Quaresma, motivadas pelo simbolismo dos 40 dias de jejum de Jesus no deserto. A fim de oferecer alternativas aos fiéis, uma peculiar solicitação foi enviada ao Vaticano por religiosos na Venezuela, questionando se a carne de capivara poderia ser considerada adequada para consumo durante esse período.
A resposta do Vaticano, datada de 1784, foi inusitada: as capivaras foram classificadas como "peixes" devido à sua presença frequente na água, sendo permitido o seu consumo durante a Quaresma. Essa decisão peculiar ecoa até os dias de hoje, ampliando-se para incluir outros animais como o castor. No entanto, mesmo com essa permissão religiosa, o jejum durante a Quaresma não é tão restritivo quanto no passado.
Além de sua importância religiosa, as capivaras são fascinantes por sua biologia e comportamento. Encontradas em uma variedade de habitats aquáticos na América do Sul, elas são animais sociais que vivem em grupos familiares e são mais ativas durante o amanhecer e o anoitecer. Apesar de sua tranquilidade, podem se tornar agressivas se provocadas e representam desafios em áreas urbanas, onde podem causar danos a plantações e representar riscos no trânsito.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.