Na remota localidade rural de Nova Blahovishchenka, sul da Ucrânia, uma história de abandono e sobrevivência despertou a atenção das autoridades e da comunidade local. Oxana Malaya, nascida em novembro de 1983, foi deixada à própria sorte por seus pais alcoólatras aos três anos de idade, encontrando refúgio no canil da propriedade onde vivia. Ali, entre cães, a pequena Oxana passou cerca de cinco anos, adotando comportamentos típicos da espécie canina, como andar em quatro patas, latir e se alimentar de restos de comida e carne crua.
O caso ganhou notoriedade quando, aos quase oito anos, Oxana foi descoberta por vizinhos, latindo como um cão para uma das pessoas próximas. Encaminhada para uma instituição, a menina recebeu cuidados intensivos para se restabelecer. A falta de contato humano deixou sequelas irreversíveis, mas Oxana conseguiu desenvolver habilidades básicas de linguagem e comportamento em um curto período.
Hoje, aos 40 anos, Oxana Malaya ainda vive em uma instituição, onde passa seus dias cuidando de animais. Embora tenha aprendido a se comportar como um ser humano, ela confessa que às vezes sente a vontade de agir como um cachorro, especialmente quando se sente sozinha. No entanto, Oxana ressalta em entrevistas a sua preferência por ser tratada como um ser humano, rejeitando o rótulo de "garota-cachorro".
Estudos sugerem que crianças criadas longe do convívio humano podem desenvolver linguagem até certo ponto, mas dificilmente conseguem reverter os danos causados por uma infância marcada pela negligência.
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