Chamado tecnicamente de estalactite de gelo, ou brinicle, esse fenômeno submarino raro foi documentado pela primeira vez em 1974. Ele ocorre apenas nas regiões polares, durante o inverno. Nessa época, a temperatura acima do mar cai para pelo menos -40ºC, bem mais fria do que a água do oceano, em torno de -2°C.
Nessas condições, o congelamento da superfície não forma um gelo sólido, como nos icebergs, e sim “poroso”, com canais internos. Por eles, corre uma água salgada e muito gelada, direcionada para baixo devido à sua densidade e ao fluxo de calor no fundo do mar (a água “menos fria” sobe e a mais fria desce).
Conforme passa pelos canais internos, a água supergelada carrega mais sal, alterando a densidade e ficando mais fria. Quando sai do “cano”, o jato de salmoura resfria a água do oceano ao redor de si, que é menos densa, menos fria e acaba se congelando. Ou seja, o cano é milimetricamente prolongado e a estalactite cresce.
O mar precisa estar calmo para não quebrar a formação. Se ela conseguir atingir certo tamanho, torna-se autossustentável e cresce desenfreadamente, até chegar ao fundo do mar. No chão, o processo continua como um “rio de gelo” que serpenteia pela superfície, congelando seres que não conseguem escapar, como estrelas-do-mar.
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