Após um ano de intensos debates, a proposta de Nova Constituição será entregue ao presidente do Chile, Gabriel Boric, na próxima segunda-feira (4). Em entrevista, a dirigente da CUT Chile, Amalia Pereira diz que aprovação da nova constituição virá “a fim de construir um país novo, que enterre a herança neoliberal do ditador Augusto Pinochet (1973-1990)”.
Qual a importância da Nova Constituição para o presente e o futuro do Chile?
Em primeiro lugar precisamos reconhecer que esta é uma Nova Constituição em direitos, que vem para abolir a Constituição da ditadura de Pinochet, feita por meia dúzia de pessoas. Agora teremos uma nova Carta Magna baseada nos direitos humanos e ambientais, nos direitos de todos e todas, dos povos originários. Para isso foi importante a participação paritária de 155 trabalhadores, intelectuais, sendo ampla em todos os sentidos da palavra.
Mas temos problemas desde há muito tempo, abusos de desamparo e desproteção do Estado: na saúde, na educação, bem graves no âmbito ambiental e de moradia. As grandes empresas e os poderes econômicos se apropriam dos territórios, acabam ocupando terreno e levando problemas às comunidades. Isso temos mais fortemente na fundição da cidade de Puchuncavi, na região central de Valparaíso, onde passaram mais de 30 anos e ninguém havia se preocupado. Enquanto isso, continuaram morrendo e adoecendo crianças, adultos e idosos devido à contaminação. E não somente ali, mas em muitos locais onde não se deu atenção ao meio ambiente. Houve a privatização da água e somos o único país em que a água é vendida, o que agravou os problemas ambientais graves. Acreditamos que a Nova Constituição vem para sanar isso.
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