Entre 2020 e 2024, à medida que os focos de calor aumentavam no Amazonas, pelo menos cinco rios no estado enfrentaram secas, com baixa contínua em sete das 13 estações de monitoramento do nível das águas nos rios Amazonas, Purus, Solimões, Negro e Paraná do Careiro. É o que revela uma análise exclusiva da InfoAmazonia, com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e de estações hidrológicas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), que monitoram os níveis na bacia amazônica.
Nos mesmos meses de secas nos rios, os dados do Inpe apontam uma tendência de aumento nos incêndios florestais também entre julho e outubro nos últimos cinco anos. Juntos, esses meses somaram 94% (90.998) dos focos de calor no estado na temporada. Nesse período, os boletins do SGB mostram queda contínua de água em cinco dos principais rios da bacia Amazônica. Todos registraram níveis de água abaixo do normal, o que causou escassez hídrica e prejudicou, principalmente, comunidades ribeirinhas. Na avaliação do engenheiro ambiental e hidrólogo Ayan Fleischmann, que atua como pesquisador no Instituto Mamirauá, voltado para a conservação na Amazônia, a seca dos rios e o alto número de incêndios têm relação com um mesmo problema: a redução de chuvas por fenômenos associados às mudanças climáticas.
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