Em Leonardville, uma vila no sudeste da Namíbia, um projeto de mineração de urânio liderado pela estatal russa Rosatom está gerando um grande debate. A proposta utiliza ácido sulfúrico para extrair urânio, uma técnica inédita no continente, e levanta preocupações sobre a contaminação do maior aquífero da região, essencial para a sobrevivência no deserto de Kalahari, que abastece a Namíbia, a África do Sul e Botsuana.
A comunidade local está dividida sobre o projeto. Muitos veem a mineração como uma oportunidade de combater o desemprego e a pobreza, enquanto outros, como o agricultor Imo Gift Kapamba Musasa, temem os danos ambientais que podem comprometer a agricultura e o abastecimento de água. Autoridades, como o ministro da Agricultura da Namíbia, Calle Schlettwein, alertam sobre os riscos irreversíveis à água subterrânea, essencial para a região.
A Rosatom busca apoio local oferecendo doações e projetos sociais, como a construção de uma cozinha para uma escola, mas essas ações são vistas por alguns como uma tentativa de “greenwashing”. A disputa é ainda mais complicada pela oposição de agricultores da Associação de Mineração do Aquífero Stampriet (SAUMA) e pela expectativa das eleições nacionais, que decidirão o futuro das licenças de mineração. A situação também reflete desigualdade econômica e tensões raciais na região.
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