A médica Ludhmila Hajjar recusou o convite de Bolsonaro para assumir o comando do Ministério da Saúde no lugar do general Eduardo Pazuello, bastante desgastado por conta do descontrole da pandemia no país. A profissional deixou claro que não concordava com o presidente sobre a recomendação de medicamento sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19 e ainda sobre a política de isolamento social.
“É óbvio que o isolamento social tem de ser preservado, todas as pessoas têm de estar aderentes. Agora, se é lockdown ou toque de recolher depende do estado e do município. Mas isolamento social tem de ser para todos”, declarou. Ludhmila também ironizou os seguidores do presidente, que pregam a eficácia, jamais comprovada, da cloroquina.
“Imagine se só o Brasil teria a cura dessa doença! Só os instagrammers, tuiteiros e os youtubers brasileiros saberiam como tratar a fase precoce. Isso é uma vergonha internacionalmente discutida”, afirmou. “Sabemos que cloroquina não funciona há muitos meses, que azitromicina não funciona há muitos meses, que ivermectina não funciona há muitos meses.”
A resposta de Ludhmila repercutiu no parlamento. Para o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), Bolsonaro conseguiu acabar com o que restava de dignidade ao ministro Pazuello ao deixa-lo “sangrando em praça pública”.
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