O senso comum faz muitas pessoas acreditarem que durante a Ditadura Militar no Brasil (1964 – 1988), bastava ser das Forças Armadas para se livrar das forças de repressão.
A verdade é que mais de 6 mil miliares foram vítimas do regime de exceção com casos que vão de sequestro, tortura e até estupro, conforme apurado pela Comissão da Verdade (CNV).
Dentro do organograma das Forças Armadas, a perseguição foi dura e diversa. Logo no inicio do regime, as cassações e prisões serviram como forma de alinhar as baixas patentes aos compromissos do regime ditatorial. Muitos eram constrangidos, discriminados ou agredidos em nome do acirramento ideológico apenas por serem democratas. Um das táticas mais comuns era usar os instrumentos de controle da sociedade civil para abusar de familiares de oficias com o objetivo de manipulá-los. Há casos de ataques e até estupros a esposas de militares e pressões contra seus filhos nas escolas.
Marechal do Exército, Henrique Teixeira Lott, foi um dos maiores nomes da defesa da Legalidade, sendo responsável pela posse de JK em 1955 e de Jango em 1961. Mesmo anticomunista nacionalistafoi, ele foi veementemente contrário ao Golpe de 1964. Foi preso por 15 dias e proibido de se manter na vida pública.
Um clássico exemplo é o do tenente Rui Moreira Lima, que lutou na Segunda Guerra Mundial, no esquadrão Senta a Pua. Mesmo condecorado, foi perseguido e torturado. Em 1964, ele foi deposto de seu cargo na Base Aérea de Santa Cruz, por sua oposição à intervenção do 31 de Março. Então, foi preso, obrigado a se aposentar e passou a ser perseguido junto a sua família. Mesmo depois de 16 anos afastado, teve um filho sequestrado por agentes do governo. Depois de aposentado, foi sequestrado por sargentos do DOI-CODI, onde ficou três dias presos.
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