Considerada o coração do desenvolvimento na região amazônica, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) é órgão articulador, que promove a industrialização tecnológica, a sustentabilidade e a geração de empregos, consolidando o Polo Industrial de Manaus como um dos centros produtivos mais importantes da América Latina.
No comando presente desta autarquia, está o superintendente Leopoldo Augusto Melo Montenegro Junior, que é servidor de carreira, mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), graduado em Direito e Administração, com especializações em Gestão de Projetos e de Pessoas. Em entrevista exclusiva ao ON Jornal ele detalha os novos projetos de infraestrutura para 2026, geração de empregos, bioeconomia e as estratégias de atração tecnológica. Confira.
ON Jornal: Superintendente, como o senhor avalia hoje o papel da Suframa na manutenção e expansão dos empregos diretos e indiretos, desde o chão de fábrica até a cadeia de prestadores de serviço?
Leopoldo Montenegro: A SUFRAMA avalia os incentivos da Zona Franca de Manaus. E, no ano de 2025, nós batemos o recorde histórico da Zona Franca de Manaus com relação à geração de emprego direto. Foram mais de 132.958 empregos diretos gerados no ano de 2025. Se a gente considerar o nível de automação, e da tecnologia, que ela tem que fazer parte do processo produtivo das fábricas, mas, se a gente considerar a tecnologia que nós temos hoje, em 2026, com essa quantidade de empregos gerados, esse número seria muito maior se nós estivéssemos há 20, há 30 anos atrás.
Então, é um recorde que nos faz ter a sensação do dever cumprido. Obviamente, a gente procura alcançar números ainda maiores. E há uma previsão para este ano de 2026, que a gente supere a quantidade de empregos gerados de 2025, que bateu os 132 mil, e que a gente supere também, é algo muito importante, o faturamento, que foi de R$ 227,7 milhões em 2025. A previsão para este ano é que a gente chegue em R$ 240 bilhões. Mas a gente está muito esperançoso de que a gente consiga bater todos os recordes do ano passado, ainda neste ano, e isso é mais oportunidade para a nossa população, é geração de emprego, é movimentação da economia, é fortalecimento da nossa Zona Franca de Manaus.
ON Jornal: Existe algum projeto ou incentivo específico da Suframa para a qualificação de mão de obra local frente às novas exigências do mercado de trabalho em 2026?
Leopoldo Montenegro: A gente trabalha aqui dentro da SUFRAMA com o que a gente chama de Lei de Informática da Zona Franca de Manaus. É uma política pública que iniciou em 1991 e que é específica para o subsetor de bens de informática. Inclusive é um dos maiores subsetores que a gente tem dentro da Zona Franca de Manaus. Essa política determina que, todo ano, 5% da obrigação dessas fábricas que estão nesse subsetor sejam investidas em pesquisa, desenvolvimento e inovação via projetos. Projetos em parceria com instituições privadas sem fins lucrativos, projetos em parceria com startups, projetos em parceria com incubadoras, projetos em parceria com aceleradoras. Onde eu quero chegar? Dentro dessa política, o maior indicador que a gente tem é o indicador de formação e capacitação.
Foram mais de 30 mil profissionais formados e capacitados ao longo dos anos. Então, a SUFRAMA, através da Lei de Informática e de outras políticas ao entorno da Zona Franca de Manaus, inclusive uma das contrapartidas é a formação e capacitação, uma das contrapartidas pelas quais as indústrias estão aqui. Anteriormente, logo no início da Zona Franca de Manaus, nós não tínhamos profissionais formados aqui na Zona Franca de Manaus, até porque estava no começo. Então, o que acontecia? As fábricas vinham para cá e traziam profissionais de São Paulo, de Belo Horizonte e de outros estados. Hoje, não. As fábricas vêm para cá e há profissionais formados e capacitados na nossa região que podem suprir essa necessidade.
ON Jornal: Quais são as principais instalações e projetos de infraestrutura previstos pela autarquia para serem entregues ou iniciados ainda este ano?
Leopoldo Montenegro: A gente tem mais de 230 projetos aprovados nos últimos três anos do Conselho de Administração da SUFRAMA no que diz respeito à instalação de novas fábricas para o polo industrial de Manaus. Dentro desses projetos, nós temos projetos na área de fármacos, na área de medicamentos, no setor de duas rodas, no subsetor termoplástico, no setor de bens e de informática, mas eu destaco o setor de fármacos e medicamentos por conta da política de atração que a SUFRAMA vem fazendo para cada vez mais atrair indústrias desse subsetor para cá, entendendo a questão da bioeconomia, da sustentabilidade como ativo importante para a zona franca de Manaus.
Então, estamos empenhados, nós temos uma equipe de atração de negócios que trabalha nesse sentido para atrair essas fábricas de medicamentos e que trazem esses produtos inovadores a partir da nossa sustentabilidade para que a gente possa industrializar as nossas coisas. Temos o CBA também, que é o Centro de Bionegócios da Amazônia, que é um parceiro da SUFRAMA nesse processo. Temos o Programa Prioritário de Bioeconomia coordenado pelo IDESAM, que já investiu em mais de 25 cadeias produtivas dentro do estado do Amazonas, que também é um parceiro estratégico da SUFRAMA nesse segmento visando esse propósito. Então, a SUFRAMA tem articulado nesse sentido.
ON Jornal: Como esses investimentos em infraestrutura impactam diretamente a logística e a competitividade das empresas instaladas no Distrito Industrial?
Leopoldo Montenegro: Eles impactam muito positivamente. A gente tem uma discussão agora crescente a respeito da BR-319, tivemos uma liminar e depois a derrubada de uma liminar, mas o fato é que a gente precisa melhorar a nossa infraestrutura, todos nós sabemos disso. A SUFRAMA tem adotado as medidas necessárias inclusive com a previsão, previsão, não estou afirmando que vai ter com a previsão de seca deste ano, que pode impactar a chegada e a saída dos insumos na Zona Franca de Manaus, mas de fato a gente precisa melhorar a nossa infraestrutura e isso passa pela questão da BR-319.
A gente precisa de uma rodovia que ligue ao Amazonas, o Acre, Rondônia, Roraima e ao restante do país. Então, a gente entende da importância da infraestrutura, da logística, e a gente está atento a essa questão da BR-319, fazendo o possível para que isso se destrave e traga também uma concorrência com os outros modais já utilizados na Zona Franca de Manaus, e isso vai fazer com que a logística melhore.
ON Jornal: Muito se fala na integração da indústria com o setor primário. Como a Suframa enxerga o potencial do agronegócio tecnológico para o desenvolvimento sustentável da Amazônia?
Leopoldo Montenegro: Dentro da Zona Franca de Manaus, quando a gente pensa em Zona Franca de Manaus, a gente pensa só em fábrica e indústria, mas dentro da Zona Franca de Manaus nós temos o distrito agropecuário da SUFRAMA. Inclusive, é a maior parcela territorial dentro da Zona Franca de Manaus, são mais de 600 mil hectares que foram cedidos pelo governo do Estado lá em 1975, que são justamente para fomentar o agronegócio e a agricultura familiar dentro do Estado do Amazonas. A indústria se desenvolveu muito ao longo dos anos, é o pilar que segura a Zona Franca de Manaus, só que a gente tem que ter um olhar para o agro.
Nós temos o Programa Prioritário de Bioeconomia, que eu comentei anteriormente. Esse Programa Prioritário já tem algumas soluções de produtos já prontos e soluções de serviços já prontos. A gente quer conectar essas soluções já prontas com quem está lá no Distrito Agropecuário, ou seja, levar a tecnologia que já foi validada ao mercado para aquele agricultor, para aquela família ou para aquela empresa que está produzindo no Distrito Agropecuário fazer uso dessa tecnologia para ganhar escala. Então, eu vou fomentar e vou trabalhar para que esse polo se fortaleça. A gente está em fase final desse estudo para poder alterar o nosso normativo e poder fazer com que o Distrito Agropecuário e o agro dentro da Zona Franca de Manaus se tornem cada vez mais atrativos.
ON Jornal: Quais são os mecanismos atuais para que produtores rurais da nossa região tenham acesso às tecnologias desenvolvidas ou incentivadas pelo modelo ZFM?
Leopoldo Montenegro: Então, nós temos a tecnologia para algumas cadeias já pronta, via programa prioritário, via centro de bionegócio da Amazônia, no que a gente precisa é conectar o programa prioritário, o CBA, junto à cadeia produtiva, junto com os órgãos competentes, para fazer esse link e levar essa tecnologia de fato para quem precisa.
Então, esse link, a SUFRAMA já se disponibilizou em fazer. Nós vamos talvez trabalhar um evento grande aqui para poder trazer o pessoal do Distrito Agropecuário, trazer o pessoal do CBA, trazer o pessoal do programa prioritário de bioeconomia, trazer a indústria para que a gente possa ter uma conversa agregadora no sentido de levar oportunidade para quem está no Distrito Agropecuário da SUFRAMA.
O Distrito Agropecuário da SUFRAMA é uma oportunidade a mais para a Zona Franca de Manaus crescer e trabalhar números ainda maiores. Então, a gente tem consciência disso na nossa gestão e a gente vai atuar fortemente para que o Distrito Agropecuário se fortaleça cada vez mais. Perfeito, superintendente.
ON Jornal: O senhor acredita que o crescimento econômico da região em 2026 passará obrigatoriamente pela agenda ESG e pela economia circular? Como a Suframa apoia essa transição?
Leopoldo Montenegro: A SUFRAMA já vem trabalhando a ESG, a Zona Franca de Manaus, desde a sua concepção. Se a gente pegar o que quer dizer o termo ESG, a gente tem a parte ambiental. A Zona Franca de Manaus preservou mais de 97% da sua floresta em pé. A gente tem a questão social. Os empregos da Zona Franca de Manaus estão muito acima da média do mercado nacional. E a gente tem a governança. As fábricas estão aqui implantando suas ISOs e têm uma reputação de governança muito alta. Então, isso a Zona Franca de Manaus já vem fazendo desde 1967.
A questão que o ESG é um termo novo, é um termo da moda e que a SUFRAMA também está fazendo o uso desse termo, inclusive temos um programa aqui, que é o Zona Franca mais ESG, para divulgar as informações e para consolidar ainda mais. E afirmando que a Zona Franca de Manaus é sustentável, é inovadora e é produtiva. Até um termo que o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços usa, que é a neoindustrialização. Que a indústria tem que ser sustentável, inovadora e produtiva.
E é exatamente o que é a indústria aqui da nossa Zona Franca de Manaus. Então esse termo está presente na história da Zona Franca de Manaus e nós estamos fazendo o uso dele agora para movimentar e conscientizar ainda mais os empresários da importância de não só trabalhar a atividade produtiva, mas de trabalhar a atividade produtiva em conjunto com a sustentabilidade, com a inovação e com a produtividade.
ON Jornal: No setor fabril, o que temos de novidade em termos de novos processos ou tecnologias que estão chegando ao Polo Industrial de Manaus (PIM)?
Leopoldo Montenegro: A projeção positiva que a gente coloca, a primeira é de faturamento, a gente vai bater o recorde desse ano do faturamento do ano passado, então a previsão é de 240 bilhões. Recorde também com relação à quantidade de empregos diretos gerados, mais de 132 mil postos de trabalho, a gente quer atingir os 140 mil postos de trabalho, a gente coloca o desafio lá em cima para buscar e ver se a gente consegue chegar, e eu creio em Deus que a gente vai chegar. Mas, além disso, a Zona Franca de Manaus tem que se preparar para um novo momento, que é um momento de reforma tributária, que já iniciou a sua fase de transição e que, a partir de 2033, só a Zona Franca de Manaus vai estar como política de incentivo do Brasil.
E qual é essa nova Zona Franca de Manaus? É uma Zona Franca de Manaus ainda mais verde, é uma Zona Franca de Manaus que industrializa suas coisas locais por meio da bioeconomia, é uma Zona Franca de Manaus tecnológica, que traz a indústria 4.0 sem perder espaço no chão de fábrica, então ela é tecnológica e ainda emprega o nosso povo, e é uma Zona Franca de Manaus que está presente na comunicação do dia a dia do cidadão. Eu tenho que comunicar melhor o que é a Zona Franca de Manaus para a população saber, para quem trabalha no Distrito Industrial saber que a Zona Franca de Manaus é importante e é o motor da economia do estado do Amazonas.
Qual mensagem o senhor gostaria de deixar para todos os trabalhadores, do Polo Industrial de Manaus e de todas as outras áreas, que movem a economia e buscam diariamente novas oportunidades e valorização?
Leopoldo Montenegro: Queria agradecer o trabalho de todos, dos servidores da SUFRAMA, para aquele colaborador do chão de fábrica, que é essencial para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus, e falar que tem oportunidade aqui, não precisa ir para outras regiões.
A Zona Franca de Manaus tem muita oportunidade para você que é jovem, para você que é estudante, se especialize pensando nas fábricas da Zona Franca de Manaus, pensando em montar sua startup, pensando em montar seu negócio, porque o ambiente está propício para isso.
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