Mesmo diante das flutuações da economia global e dos desafios impostos pelos eventos climáticos extremos na Região Norte, o Polo Industrial de Manaus (PIM) encerra os primeiros meses de 2026 demonstrando resiliência, competitividade e força produtiva. Com um faturamento que ultrapassou os R$ 99, 64 bilhões de janeiro a maio de 2026 e empregando mais de 130 mil pessoas diretamente, o modelo reafirma sua relevância central para o desenvolvimento do Amazonas.
Para entender sobre esse cenário, o ON Jornal, entrevistou o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, que falou sobre o desempenho econômico do Polo Industrial de Manaus (PIM) em 2026 e os setores líderes em faturamento e empregos, a expansão do polo farmacêutico e de cosméticos com base na biodiversidade e as estratégias para a modernização do setor de duas rodas com foco em mobilidade elétrica e sustentável. Confira.
ON Jornal: Diante do cenário econômico atual e dos desafios globais de mercado, qual é o balanço do desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM) neste ano e quais setores têm despontado como os principais motores do seu faturamento e geração de empregos?
Leopoldo Montenegro: Polo Industrial de Manaus (PIM) mantém, em 2026, um desempenho consistente, demonstrando resiliência e competitividade mesmo diante do cenário econômico global. Entre janeiro e maio deste ano, o faturamento alcançou R$ 99,64 bilhões, enquanto as exportações somaram US$ 339.41 milhões. A média mensal de empregos diretos ultrapassou 130,6 mil trabalhadores, confirmando a importância do modelo para a economia regional e nacional.

Os segmentos que mais contribuíram para o faturamento foram Duas Rodas (20,73%), Bens de Informática (20,58%), Eletroeletrônico (16,20%) e Químico (11,05%), evidenciando uma matriz industrial diversificada, tecnologicamente avançada e integrada às cadeias produtivas do País.
ON Jornal: O Polo Farmacêutico e de Cosméticos vem ganhando tração com a chegada de novas indústrias de medicamentos a Manaus. Como a Suframa avalia essa consolidação e qual é o diferencial competitivo da Zona Franca para atração desses investimentos de alta tecnologia?
Leopoldo Montenegro: A expansão dos segmentos farmacêutico, de dispositivos médicos, cosméticos e de produtos desenvolvidos a partir da biodiversidade representa uma importante oportunidade de diversificação do Polo Industrial de Manaus. A chegada de novos empreendimentos demonstra que a Zona Franca reúne condições para atrair investimentos intensivos em tecnologia, inovação e pesquisa.
Entre seus diferenciais competitivos destacam-se o ambiente de segurança jurídica proporcionado pelo modelo constitucional da Zona Franca de Manaus, a infraestrutura industrial consolidada, a disponibilidade de incentivos fiscais, a capacidade instalada para pesquisa e desenvolvimento e a proximidade com a maior biodiversidade do planeta.
A estratégia da Suframa é fortalecer a integração entre empresas, universidades, institutos de pesquisa e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), estimulando o desenvolvimento de produtos inovadores e de maior valor agregado, sempre em conformidade com a legislação ambiental e de acesso ao patrimônio genético.

ON Jornal: Com as transformações globais na mobilidade urbana e a transição para veículos elétricos e híbridos, quais são as estratégias da autarquia para modernizar e fortalecer o Polo Duas Rodas?
Leopoldo Montenegro: O Polo de Duas Rodas de Manaus é referência internacional e segue incorporando tecnologias voltadas à eletrificação, conectividade e eficiência energética. Entre janeiro e maio de 2026, a produção ultrapassou 1 milhão de motocicletas, motonetas e ciclomotores, reafirmando a liderança nacional do segmento.
A Suframa atua em conjunto com o Governo Federal na modernização dos Processos Produtivos Básicos (PPBs), na atração de investimentos e no fortalecimento da cadeia local de fornecedores, estimulando a produção de componentes eletrônicos, baterias, sistemas inteligentes e novas tecnologias voltadas à mobilidade sustentável.
Além disso, a Autarquia trabalha para ampliar a diversificação industrial do Polo, criando um ambiente favorável à atração de novos investimentos compatíveis com o modelo Zona Franca de Manaus e alinhados às transformações tecnológicas da indústria automotiva mundial.
ON Jornal: Quais resultados práticos o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e os incentivos do PIM já entregaram recentemente e como a Suframa pretende converter esse potencial em produtos industriais de alto valor agregado?
Leopoldo Montenegro: A bioeconomia constitui uma das principais agendas estratégicas da Suframa para promover a diversificação econômica da Amazônia Ocidental e do Amapá. A consolidação do Centro de Bionegócios da Amazônia fortalece a conexão entre pesquisa científica, inovação, empreendedorismo e indústria, criando condições para o desenvolvimento de novos produtos e tecnologias baseados na biodiversidade amazônica.
Nesse contexto, o Programa Prioritário de Bioeconomia representa um importante instrumento para direcionar recursos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) ao desenvolvimento de soluções tecnológicas, novos negócios e produtos de maior valor agregado.
Em outra frente estratégica, a Suframa vem fortalecendo a política de industrialização com matéria-prima regional, estimulando a agregação de valor aos insumos produzidos na Amazônia por meio do processamento industrial local e da ampliação das cadeias produtivas regionais.
Também avançam as ações de fortalecimento do Distrito Agropecuário da Suframa (DAS), com foco na modernização da gestão, na organização das cadeias produtivas sustentáveis e na integração entre o setor primário e a indústria, contribuindo para ampliar a geração de emprego, renda e desenvolvimento sustentável na região.
ON Jornal: Como a Suframa tem trabalhado o avanço do Processo Produtivo Básico (PPB) para simplificar a aprovação de novos projetos industriais focados nos insumos regionais e na biodiversidade amazônica?
Leopoldo Montenegro: O Processo Produtivo Básico é um dos principais instrumentos da política industrial da Zona Franca de Manaus, garantindo a agregação de valor e a efetiva industrialização dos produtos incentivados.
A Suframa atua em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para modernizar e aperfeiçoar os PPBs, buscando maior agilidade, previsibilidade e alinhamento às novas tecnologias e às demandas do mercado.
No caso dos produtos associados à biodiversidade e às matérias-primas regionais, a estratégia é construir processos produtivos compatíveis com as características dessas cadeias, incentivando o processamento industrial na região, o aumento do conteúdo local e a geração de maior valor agregado para a economia amazônica.
ON Jornal: Com a regulamentação da Reforma Tributária, quais mecanismos técnicos garantem a competitividade e a segurança jurídica das empresas do PIM no longo prazo?
Leopoldo Montenegro: A Reforma Tributária preservou integralmente o modelo Zona Franca de Manaus. A Emenda Constitucional nº 132 e sua regulamentação asseguraram a manutenção das vantagens comparativas do modelo até 2073, proporcionando previsibilidade e segurança jurídica para investidores.
O novo sistema tributário preserva instrumentos como os créditos presumidos, os tratamentos diferenciados relativos ao IBS e à CBS, os regimes aduaneiros especiais e os mecanismos destinados à manutenção da competitividade das empresas instaladas na Zona Franca de Manaus.
Esses instrumentos reforçam a atratividade do ambiente de negócios, asseguram estabilidade regulatória e criam condições para a continuidade dos investimentos produtivos de longo prazo.
ON Jornal: Com o avanço das discussões sobre infraestrutura e logística na região Norte, de que maneira a Suframa tem atuado para mitigar os impactos das severas secas e do alto custo do frete nas operações de importação e escoamento da produção do PIM?
Leopoldo Montenegro: A logística representa um dos principais desafios para a competitividade do Polo Industrial de Manaus, especialmente diante da intensificação dos eventos climáticos extremos.
A Suframa atua em parceria com órgãos, instituições e o setor produtivo na construção de soluções na construção de soluções voltadas ao fortalecimento da logística regional. Esse trabalho conjunto contempla o acompanhamento das ações de dragagem dos trechos críticos dos rios, o monitoramento das condições de navegabilidade, o planejamento preventivo das operações logísticas e o desenvolvimento de soluções multimodais para ampliar a resiliência da cadeia de suprimentos.
Paralelamente, a Autarquia mantém diálogo permanente com as empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus para identificar gargalos, antecipar demandas e subsidiar políticas públicas que contribuam para reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a competitividade do modelo Zona Franca de Manaus.
ON Jornal: Olhando para os próximos anos da sua gestão, quais são os projetos prioritários da Suframa para diversificar a matriz econômica da Amazônia?
Leopoldo Montenegro: A atual gestão da Suframa tem como prioridades estratégicas fortalecer a competitividade do Polo Industrial de Manaus, atrair novos investimentos, modernizar os sistemas da Autarquia, ampliar a segurança jurídica dos empreendimentos e preparar o modelo para os desafios da Reforma Tributária.
Paralelamente, busca acelerar a diversificação econômica da Amazônia Ocidental e do Amapá por meio do fortalecimento da bioeconomia, da industrialização com matéria-prima regional, da modernização do Distrito Agropecuário da Suframa, da ampliação das Áreas de Livre Comércio, da atração de novos setores industriais, do fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis e da expansão dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A visão da Suframa é consolidar a Zona Franca de Manaus como um modelo cada vez mais moderno, inovador, sustentável e integrado ao desenvolvimento de toda a Amazônia Ocidental e do Amapá, promovendo geração de emprego, renda, tecnologia e oportunidades para a população da região.
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