quarta, 23 de setembro de 2026
22/09/2026   16:20h - Educação

Itália vai proibir véus islâmicos em escolas e limitar alunos estrangeiros por turma

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou que o país proibirá o uso da burca e do niqab, véus islâmicos integrais, nas escolas, além de limitar o número de alunos estrangeiros por turma. O anúncio foi feito durante encontro da juventude do partido Irmãos da Itália. A Itália, uma das principais portas de entrada de migrantes na União Europeia, tem na integração dos estrangeiros um dos temas centrais da campanha para as eleições gerais do próximo ano.

Segundo Meloni, será apresentada uma medida em sessão do Conselho de Ministros para estabelecer legalmente um número máximo de alunos estrangeiros por turma. A proposta também prevê que pais de alunos estrangeiros com dificuldades de integração no sistema escolar aprendam italiano. Atualmente, os estudantes estrangeiros representam 12% dos matriculados nas escolas italianas, segundo o Instituto Nacional de Estatística (ISTAT).

O país já impõe restrições desde 2010, quando o limite de estrangeiros foi fixado em 30% de uma turma e de um centro de ensino. Esse teto pode ser ampliado em casos de alunos com competências linguísticas adequadas, como os nascidos na Itália, ou reduzido quando há domínio insuficiente do idioma. Meloni não detalhou qual mudança será proposta. A Itália não possui lei que proíba expressamente a burca em escolas ou locais públicos, mas uma norma de 1975 pune o uso sem justificativa de capacetes ou roupas que dificultem a identificação de uma pessoa. Em 2008, o principal tribunal administrativo do país entendeu que véus integrais podem ser usados por motivos religiosos ou culturais, desde que o rosto seja mostrado quando houver necessidade de verificação de identidade.

O partido de extrema-direita Futuro Nacional (FN), ainda mais à direita que a legenda de Meloni, pediu em julho medidas mais enérgicas contra o uso da burca nas escolas. A agremiação não integra a coalizão de governo, mas, desde sua criação em fevereiro, cresceu nas pesquisas e representa um desafio para a primeira-ministra.

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