Quase quatro décadas após o acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, centenas de cães continuam vivendo na região de exclusão, despertando o interesse de cientistas sobre suas características genéticas. Um estudo publicado na revista Genes analisou o DNA de 63 animais, sendo 33 próximos à antiga usina nuclear e 30 da cidade de Chernobyl, localizada a cerca de 16 quilômetros. A pesquisa busca compreender por que essas populações apresentam diferenças genéticas mesmo vivendo relativamente próximas.
Os pesquisadores identificaram sinais de seleção em mais de 100 regiões do genoma dos cães que vivem nas proximidades da usina. Essas áreas estão relacionadas a funções como reparação do DNA, imunidade, ciclo celular e processos associados ao câncer. A análise também investigou a deriva genética, mecanismo que pode alterar a frequência de variantes genéticas ao acaso. Os resultados indicaram que esse fenômeno, isoladamente, não explica todas as diferenças observadas entre os grupos.
Apesar das descobertas, os cientistas ressaltam que ainda não foi comprovado que os cães tenham desenvolvido resistência especial à radiação. Especialistas apontam que fatores como origem genética, alimentação, doenças e exposição a outros contaminantes também podem influenciar as características dos animais. O estudo oferece novas pistas sobre a evolução de populações em ambientes contaminados, mas a relação direta entre a radiação de Chernobyl e as mudanças genéticas ainda permanece em investigação.
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