O consumo de carne de caça e o comércio ilegal de animais silvestres continuam presentes no Amazonas e em rotas de fronteira da Amazônia brasileira, segundo um estudo publicado na revista científica Human Ecology. A pesquisa reuniu dezenas de trabalhos científicos para identificar padrões, motivações e caminhos utilizados no tráfico de fauna. O levantamento destaca a região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru como uma área vulnerável à circulação ilegal de animais e seus derivados.
De acordo com o estudo, a exploração da fauna na região está relacionada principalmente à alimentação, a práticas mágico-religiosas, ao uso medicinal e ao colecionismo de animais como pets. No Amazonas, espécies como paca, anta, queixada, jacaré-açu, tartaruga-da-amazônia e tracajá aparecem entre os animais comercializados em mercados e feiras. A pesquisa aponta ainda que aproximadamente 25,5% das espécies identificadas nos comércios ilegais avaliados constam em listas oficiais de ameaça de extinção.
Os pesquisadores também destacam que fatores ambientais sazonais influenciam a atividade: durante o período de cheia, a comercialização de carne de caça pode aumentar em razão de dificuldades na pesca, enquanto a seca facilita a captura de jacarés e quelônios. A fiscalização enfrenta obstáculos devido à extensão territorial da Amazônia, à escassez de recursos e ao avanço do comércio clandestino em plataformas digitais. Como alternativas, o estudo recomenda combinar fiscalização, educação ambiental e iniciativas comunitárias de manejo sustentável, que conciliem conservação da biodiversidade e geração de renda.
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