Monday, 08 de June de 2026
06/05/2022   09:08h - Curiosidades

Estes livros verdes são venenosos e você pode estar perto de um

Bibliotecas e coleções de livros raros geralmente carregam volumes que apresentam venenos em suas páginas, indo de famosos mistérios de assassinato a obras seminais sobre toxicologia e estudos forense. Os venenos descritos nessas obras são apenas palavras em uma página, mas alguns livros espalhados pelo mundo são, literalmente, venenosos.

 

Esses livros tóxicos, produzidos no século 19, são encadernados em tecido vívido colorido com um pigmento verde esmeralda misturado com arsênico. Muitos deles passam despercebidos nas prateleiras e nas coleções. Pensando nisso, Melissa Tedone, chefe do laboratório de conservação de materiais de biblioteca no Museu, Jardim e Biblioteca de Winterthur, em Delaware, Estados Unidos, lançou o projeto Livro Venenoso para localizar e catalogar esses volumes nocivos.

 

Até o momento, a equipe descobriu 88 livros do século 19 contendo a cor verde esmeralda. Setenta são cobertos com um papel verde vívido, e o restante tem o pigmento incorporado em rótulos de papel ou elementos decorativos. Tedone até encontrou um livro verde esmeralda à venda em uma livraria local, que ela rapidamente comprou.

 

Embora esses livros venenosos provavelmente causem apenas danos menores – a menos que alguém decida devorar um tomo de quase 200 anos – essas obras vibrantes e sedutoras não são totalmente isentas de riscos. Pessoas que lidam com eles com frequência, como bibliotecários ou pesquisadores, podem acidentalmente inalar ou ingerir partículas que contêm arsênico, o que pode deixá-los letárgicos e tontos, ou fazê-los sofrer de diarreia e cólicas estomacais. Em contato com a pele, o arsênico pode causar irritações e lesões. Casos graves de envenenamento por arsênico podem levar à insuficiência cardíaca, doença pulmonar, disfunção neurológica e – em situações extremas – até mesmo a morte.

 

O verde esmeralda, também conhecido como verde de Paris, verde de Viena e verde de Schweinfurt, é fruto da combinação de acetato de cobre com trióxido de arsênico, produzindo o acetoarsenito de cobre. O pigmento tóxico foi desenvolvido comercialmente em 1814 pela Wilhelm Dye and White Lead Company, em Schweinfurt, na Alemanha. Era usado em tudo, de roupas a papel de parede, passando por flores falsas e pinturas. Dizer que a Inglaterra vitoriana era banhada em verde esmeralda é um eufemismo: em 1860, mais de 700 toneladas do pigmento haviam sido produzidas apenas no país.

 

 

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