Pesquisadores registraram, pela primeira vez na história da entomologia, o espécime macho do gafanhoto Proscopia gigantea, mais de dois séculos após a fêmea da espécie ter sido descrita originalmente em 1818. A descoberta ocorreu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé, localizada na zona rural de Manaus, e soluciona uma lacuna científica bicentenária sobre a biologia e o dimorfismo sexual desse inseto conhecido por sua semelhança morfométrica com gravetos e galhos secos.
A identificação do macho permitiu aos cientistas descrever detalhadamente as características morfológicas do sexo masculino, que apresenta dimorfismo acentuado em relação à fêmea, com tamanho significativamente menor e variações nas estruturas das pernas e antenas. A escassez de registros ao longo dos últimos 200 anos é atribuída às estratégias de camuflagem do animal e ao hábito de se abrigar no alto das copas das árvores na floresta tropical, o que dificulta a coleta e a observação em campo por métodos convencionais.
O achado reforça a relevância das Unidades de Conservação municipais e estaduais para a salvaguarda da biodiversidade e a condução de pesquisas de longa duração na Amazônia Central. A documentação completa do espécime foi integrada aos acervos de coleções biológicas da região, servindo de base para novos estudos sobre a evolução, taxonomia e ecologia da família Proscopiidae na bacia amazônica.
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