A Associação Brasileira de Enfermagem Seção Amazonas (ABEn-AM) é uma das mais tradicionais entidades representativas da enfermagem no estado, com atuação voltada para o desenvolvimento científico, acadêmico e profissional de uma categoria que reúne mais de 73 mil trabalhadores, segundo dados do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM). Integrada à estrutura nacional da ABEn, a seção amazonense desempenha um papel estratégico na defesa das políticas de saúde, qualificação profissional e valorização da enfermagem em suas múltiplas áreas de atuação.
Com nova diretoria eleita, nesta semana, para o próximo triênio, a ABEn-AM reforça seu compromisso em dialogar com todos os segmentos da enfermagem, da assistência à gestão, da pesquisa ao ensino, e em contribuir para o fortalecimento da categoria em um cenário em que o reconhecimento social e profissional se torna cada vez mais necessário.
Os eleitos foram: Elton Aleme, presidente; Erica Lima, vice-presidente; Soraya Vilma, Secretária Geral; Everton Freitas, Diretor Financeiro; Cleisiane Xavier, Diretora de Educação; Gisele Reis, Diretora de Estudos e Pesquisa; Fernanda Castro, Diretora Desenvolvimento do Trabalho em Enfermagem e Esron Rocha, Diretor de Comunicação Social.
Ao ON Jornal, o presidente eleito, Elton Aleme, falou sobre a vitória da chapa 1 em candidatura única, demandas urgentes e novos planos de trabalho. Confira.
ON Jornal - A chapa “Esperança e Reencantar a Enfermagem” foi eleita de forma unificada. Como o senhor interpreta esse consenso interno e o que ele revela sobre o momento vivido pela enfermagem no Amazonas?
Elton Aleme- Nós temos sempre a intenção de unificar a enfermagem, tanto dentro da ABEn, da associação, como nas demais entidades. A gente acredita que essa composição em bloco único mostra, inclusive, aquilo que temos defendido: a unificação da enfermagem. A unidade da enfermagem tem se fortalecido nos últimos anos e isso também demonstra maturidade.
Todo mundo cabe em uma chapa coletiva. Essa foi a proposta, esse foi o projeto. Não houve divergências, não houve nenhum outro interesse em promover disputa interna, porque acreditamos que, neste momento da enfermagem, é fundamental unificar e somar forças.
ON Jornal - O estado reúne 73 mil profissionais de enfermagem, segundo o COREN-AM. Quais são, na sua visão, os principais anseios dessa categoria tão ampla e diversa, e quais pautas serão priorizadas logo no início da gestão?
Elton Aleme- Eu não tenho dúvida de que, hoje, os maiores anseios da enfermagem no Amazonas estão relacionados à garantia do emprego e aos locais de trabalho. Essa é a primeira demanda: todo mundo que está na enfermagem, que se forma, quer a garantia das condições de poder trabalhar — seja como técnico, enfermeiro ou auxiliar. Então, esse é um ponto central: a gente precisa criar e garantir espaços de trabalho para a enfermagem.
Além disso, para aqueles que já estão atuando, há a necessidade de segurança no emprego, o que inclui a realização de concursos públicos e a garantia da estabilidade. Também é fundamental assegurar o pagamento do piso salarial, garantir a jornada de 30 horas, algo pelo qual temos lutado,

e combater o assédio e a violência cometidos contra profissionais de saúde, entre eles os da enfermagem.
Essas são as demandas imediatas.
ON Jornal - Como a ABEn-AM pretende integrar esses diferentes segmentos dentro de um mesmo plano de valorização e fortalecimento da classe?
Elton Aleme- A missão institucional da ABEn é promover políticas públicas e políticas sociais para a enfermagem, além de políticas de pesquisa e educação. Como a enfermagem dentro da ABEn é estruturada em várias diretorias, cada diretoria vai se concentrar em propor um plano de valorização, mas entendendo também que, enquanto associação, a ABEn precisa promover boas condições para todos os profissionais.
Precisamos oferecer um pacote de benefícios, garantir uma sede acessível aos profissionais, disponibilizar cursos de capacitação, formação, mestrado e especialização.
Além disso, é importante incentivar os profissionais a participarem da política, a serem candidatos a vereador, prefeito, deputado federal, estadual, senador. É necessário fortalecer a participação sindical. Essas são estratégias que, dentro desse debate, vamos integrar a cada equipe.
ON Jornal -Você poderia detalhar quais estratégias de articulação institucional e política serão adotadas para transformar as propostas da chapa em ações concretas, considerando a necessidade de diálogo com órgãos públicos, entidades de classe e instituições de ensino?
Elton Aleme- Nós já temos um trabalho muito forte com o Conselho Regional de Enfermagem, e também mantemos uma articulação sólida com os sindicatos que representam os profissionais da área. Trabalhamos em parceria com as escolas de enfermagem, tanto públicas quanto privadas, para que possamos levar o debate sobre a valorização da profissão, contar a história das entidades e envolver professores e estudantes, para que eles se aproximem da nossa instituição.
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Além disso, é fundamental destacar que, hoje, a ABEn compõe o Conselho Municipal de Saúde de Manaus. Nós também queremos integrar o Conselho Estadual de Saúde e incentivar que, em cada município, os profissionais de enfermagem participem dos conselhos municipais e conselhos locais de saúde.
Temos ainda a necessidade de ampliar a parceria com a Superintendência Regional do Trabalho, e podemos atuar diretamente com as secretarias de saúde, tanto do estado quanto dos municípios. Essa é a relação que a ABEn precisa manter.
Em um momento em que a enfermagem busca maior reconhecimento e condições de trabalho mais justas, como a nova gestão pretende fortalecer as entidades representativas da categoria e ampliar a participação dos profissionais do Amazonas nas discussões nacionais da ABEn?
Elton Aleme- Sim, para fortalecer as entidades, nós precisamos mostrar à enfermagem que essas instituições existem, que funcionam e que são importantes instrumentos de transformação e valorização da categoria.
Por exemplo, o sindicato é um grande defensor do trabalhador da enfermagem. É o sindicato que pode, na Justiça, pleitear os direitos trabalhistas sempre que o profissional tem um direito negado, um salário cortado, seu piso salarial desvalorizado ou descumprido. Por isso, precisamos incentivar as pessoas a participar do sindicato.
Da mesma forma, todo profissional de enfermagem precisa estar com o Coren ativo e funcionando, participando das comissões, das câmaras técnicas e também cobrando que o Conselho de Enfermagem esteja presente nos hospitais, nas clínicas, nas unidades de saúde e UBSs, para que possamos acompanhar, de fato, a vida da enfermagem na base.

A ABEn, por sua vez, atua como promotora de políticas de saúde para a enfermagem e de políticas de educação. Incentiva a pesquisa, a extensão e a organização dos profissionais desde a faculdade — organizando estudantes, fortalecendo o corpo docente e articulando gestores que fazem parte da enfermagem — para manter a categoria sempre alinhada com um objetivo comum: promover políticas que fortaleçam a profissão, defendam o SUS e, principalmente, valorizem o profissional e a enfermagem como um todo.
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