Monday, 08 de June de 2026
06/06/2026   08:00h - Entrevistas

Elias Moraes, Diretor executivo do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), fala ao ON Jornal sobre o futuro sustentável da Amazônia, bioeconomia e desafios logísticos

No marco da Semana do Meio Ambiente, momento de debates urgentes sobre o clima e eventos extremos, a bioeconomia surge como um dos principais caminhos para proteger o futuro da Amazônia, unindo a preservação da floresta à geração de emprego e renda para a população da região. Esse modelo foca no uso sustentável dos recursos naturais para desenvolver a região, mas, para transformar essa riqueza em produtos de alto valor, ainda é preciso investir em ciência, inovação e superar grandes desafios históricos de infraestrutura e logística. 

 

Para entender sobre esse assunto, o On Jornal entrevistou o Diretor Executivo do Centro de Biotecnologia da Amazônia, Elias Moraes, que explicou como essa abordagem, essencial para harmonizar conservação ambiental e desenvolvimento socioespacial, foca na transformação sustentável de recursos biológicos em soluções de mercado priorizando a sustentabilidade Confira.

 

ON Jornal: Muitos defendem que o futuro da Amazônia está na bioeconomia. Quais são os produtos ou ativos da nossa biodiversidade estudados hoje pelo Centro de Bionegócios da Amazônia – CBA, que possuem o maior potencial de mercado?

 

Elias Moraes: O futuro da Amazônia requer um conjunto de ações, Vamos falar da Amazônia Ocidental, Amazonas, Roraima, Acre, Rondônia e Amapá, com seus 142 municípios com uma população de 8.340 milhões habitantes, precisamos gerar oportunidades de  empregos e rendas nos municípios para sua população, os insumos existem para atender a população, todavia escoa essa produção se quase impossível devido a carência da logística. A bioeconomia precisa gera valor a agregado nos seus produtos CBA é instrumento para ajudar na transformação do commodities. Em agregação de valor mais leva tempo. 

 

ON Jornal: De que forma as pesquisas em biotecnologia desenvolvidas no Centro podem ajudar a região a se adaptar ou a mitigar esses impactos climáticos?

 

Elias Moraes: O CBA, atualmente  busca renovar seu parque de laboratórios ampliar suas pesquisas para as comunidades (Associações e Cooperativas). De forma indireta o CBA vem trabalhando na economia circular para de desperta e evitar o desperdício exagerados com os produtos que geram poluições. Sobre o clima a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), vem fazendo estudos para monitorar as secas e enchentes dos Rios do Amazonas prevenções antecipados para suprir os meses de criticidades.   

 

ON Jornal: Um dos grandes desafios da ciência no Brasil é fazer com que a pesquisa saia do laboratório e chegue ao mercado. Como o CBA tem trabalhado para transferir essas tecnologias para as indústrias e para as cooperativas locais?

 

Elias Moraes: Nos últimos três anos o CBA já acolheu nos seu parque de inovação em torno de 20 startup´s e algumas aceleradoras logo esses empreendedores estarão recebendo propostas interessantes de investidores internacionais com isso fortalecendo e consolidando alguns produtos com marca da Amazônia. Transferir tecnologia é uma tema sensível pois envolve atores diversas questões jurídicas.

 

ON Jornal: Como funciona, na prática, a parceria entre as duas instituições para unir a conservação das Unidades de Conservação federais com a inovação tecnológica e o manejo sustentável?

 

Elias Moraes: O CBA tem no seu contrato de gestão a SUFRAMA como sua Interveniência  que tem toda a Amazônia Ocidental como mercado para atuar e suas parcerias já estão alguns acordos de cooperações técnicas assinadas para convergir nas necessidades de cada estado. Nas áreas de Unidades Conservação não tem atuações devidos as questões legais e jurídicas.

 

ON Jornal: Como o CBA concilia o avanço científico de ponta com o respeito, a proteção e a repartição de benefícios com esses povos originários?

 

Elias Moraes: O CBA é uma ponte para conectar as diversas diferenças e apelos para que todas essas facilidades possam oferecer uma condições de construção para uma vida econômica ativa e digna.

 

ON Jornal: Com relação aos principais focos de atuação do CBA hoje, qual setor está mais avançado em termos de inovação no Amazonas: o de cosméticos e bem-estar, o de fármacos e fitoterápicos, ou o de alimentos funcionais?

 

Elias Moraes: O CBA tem 6 laboratórios em atuação e condições de prover todos esses segmentos. Central Analítica – Produtos Naturais -  Materiais e Energia – Tecnologia Vegetal – Bioinsumos e Biotec Industrial. Atualmente vários produtos já estão em seus laboratórios ampliando seus bioativos.

 

ON Jornal: A busca por uma produção mais sustentável é uma tendência mundial. O CBA apoia os produtores rurais e a agricultura familiar do Amazonas a produzirem sem desmatar?

 

Elias Moraes: Estamos na Amazônia enfrentando as diferenças e a ausências de infraestruturas de logísticas e ainda existe o ceticismo por questões legais de termos fabricas ou offshoring de grandes marcas mundiais da bioeconomia na Amazônia. Estamos incentivando a Agricultura Familiar mais precisamos que essas produções seja, escoadas para não virarem desperdícios e não gerando alimentos para a população.

 

ON Jornal: Fazer ciência de ponta na Amazônia exige superar gargalos de logística, conexão e captação de recursos. Quais são os principais desafios que o CBA enfrenta hoje para expandir suas pesquisas e se consolidar como o principal polo de biotecnologia da região?

 

Elias Moraes: Os principais desafios do CBA é captação de recursos para ajudar criar bases na Amazonia e com isso termos condições de mostrar para os investidores que temos condições de superar sazonalidades dos nossos insumos. Outros desafios são fatores de secas e enchentes que comumente afetam a nossa região.

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