Para fechar o mês do professor e da criança com chave de ouro, nossa entrevista de hoje traz uma história inspiradora que une a força da educação e o desabrochar de um talento precoce na nossa região. Conversamos hoje com o Professor Dr. Adneryson Moreira, educador, escritor e pesquisador que defende a docência como a raiz de todas as profissões e a verdadeira esperança para o futuro da Amazônia. O educador abordará também a história de sua filha escritora amazonense Isabella Souza do Nascimento, de apenas 10 anos. A Isabella acaba de colocar o Amazonas no mapa literário internacional ao vencer o concurso de escrita 'Ailes de Nuit à Kernascléden', realizado na França. Sejam muito bem-vindos!
On Jornal - Professor, como pesquisador e educador na Amazônia, quais são os maiores desafios e as maiores riquezas de exercer essa missão especificamente na nossa região?
Adneryson - Afirmar que a docência é a raiz de todas as profissões é reconhecer que nenhuma formação profissional nasce espontaneamente. Antes de existir um médico, um engenheiro, um advogado, um cientista ou qualquer outro profissional, existe um educador que participa da construção dos conhecimentos, das habilidades e dos valores que tornam essas trajetórias possíveis.
Na Amazônia, essa missão apresenta desafios particulares. Vivemos em uma região de dimensões continentais, marcada por desigualdades sociais, dificuldades de acesso a determinados serviços, diversidade cultural e diferentes realidades geográficas. Precisamos compreender que ensinar na Amazônia exige sensibilidade para reconhecer as especificidades de cada comunidade, suas histórias, suas culturas e suas formas de produzir conhecimento.
A maior riqueza de ensinar na Amazônia é perceber que não estamos apenas formando estudantes para o mundo: estamos formando pessoas capazes de transformar a própria Amazônia.
On Jornal - Como o senhor, sendo também escritor, enxerga o papel da escrita criativa no desenvolvimento do pensamento crítico e científico dos estudantes?
Adneryson - A literatura e a ciência não são campos opostos. São diferentes formas de interpretar, investigar e compreender a realidade humana e o mundo que nos cerca.
Quando um estudante escreve um poema sobre o rio, por exemplo, pode trabalhar simultaneamente a linguagem, a memória, a geografia, a biodiversidade, a história e as questões ambientais. Quando produz um conto sobre sua comunidade, precisa observar o espaço em que vive, compreender relações sociais, organizar pensamentos e construir uma narrativa coerente.
É nesse processo que a escrita deixa de ser apenas uma atividade escolar e se transforma em instrumento de investigação e pensamento crítico.
On Jornal - Professor Adneryson, em seu texto você menciona que o professor é a mãe de todas as profissões e a esperança da Amazônia. Como é para você ver essa "semente" da educação florescer de forma tão precoce dentro da sua própria casa, através da sua filha? Além da questão, deixe um recado para os educadores que estão acompanhando esta entrevista!
Adneryson - Essa é, sem dúvida, uma das dimensões mais emocionantes da minha vida.
Minha filha Isabella, ainda criança, demonstra interesse pela leitura e pela escrita. Acompanhar suas primeiras produções, suas descobertas e suas conquistas é uma experiência que me emociona profundamente, especialmente porque ela começa a compreender, desde cedo, que a palavra pode expressar sentimentos, contar histórias e estabelecer diálogos com o mundo.
A conquista no concurso francês “Ailes de Nuit à Kernascléden”, no qual Isabella foi anunciada como uma das vencedoras, representa justamente esse processo. Aos 10 anos, ela conseguiu levar sua imaginação de Manaus para a França, utilizando a literatura como instrumento de expressão e diálogo entre culturas.
Meu conselho aos pais é que leiam com seus filhos, contem histórias, escutem suas perguntas, valorizem seus desenhos, suas ideias e até mesmo suas pequenas invenções. É necessário oferecer presença, incentivo, diálogo e oportunidades.
Que história fantástica. Ver o conhecimento ser semeado por um pai educador e colhido de forma tão bonita por uma filha escritora nos dá a certeza de que a educação na Amazônia realmente abre horizontes para o mundo. Parabéns ao Professor Dr. Adneryson Moreira pelo trabalho e pela dedicação, e parabéns à nossa brilhante Cunhatã, Isabella, por levar o orgulho amazonense tão longe. Sucesso na sua jornada literária! Até a próxima entrevista.
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