O desmatamento no Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, registrou uma redução histórica entre agosto de 2023 e julho de 2024, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nessa semana. A supressão da vegetação nativa caiu para 8.174 quilômetros quadrados (km²), marcando a primeira queda no índice de desmatamento desde 2018. Essa redução evitou a emissão de aproximadamente 41,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO?), um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global.
A diminuição no desmatamento foi atribuída a intensas ações de fiscalização e a um pacto firmado entre o governo federal e os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que compõem a região do Matopiba, principal fronteira agrícola do Cerrado. Esses estados foram responsáveis por 76% da supressão da vegetação, mas apresentaram quedas significativas: Bahia (-63,3%), Maranhão (-15,1%), Piauí (-10,1%) e Tocantins (-9,6%). O pacto, que visa reforçar o combate ao desmatamento ilegal, também se propõe a promover maior transparência, compartilhamento de dados e o fortalecimento da fiscalização sobre práticas ilegais em propriedades rurais.
Apesar dessa redução, especialistas alertam que os números continuam alarmantes. O WWF-Brasil destacou que, embora a tendência de queda seja positiva, o volume de desmatamento ainda permanece elevado em relação à série histórica. A pressão econômica sobre o Cerrado, impulsionada pela expansão agrícola, e a fragilidade da legislação ambiental permanecem como desafios para a preservação da região.
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