O Brasil enfrentou 7.539 desastres climáticos relacionados a chuvas intensas entre 2020 e 2023, número que representa um aumento de 222,8% em relação à década de 1990. Os dados são do relatório Temporadas das Águas, elaborado pela Unifesp em parceria com a Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica. Os eventos incluem enxurradas, inundações, temporais e deslizamentos, com destaque para as regiões Sudeste e Sul, que tendem a receber ainda mais chuvas nas próximas décadas, conforme projeções do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.
O levantamento mostra que, entre 1991 e 2023, o Brasil registrou 26.767 desastres causados por chuvas, afetando 83% dos municípios. A maioria (64%) foi de natureza hidrológica, com enxurradas e inundações. A pesquisa aponta que esses eventos provocam impactos diretos e indiretos, como perdas materiais, danos à infraestrutura, deslocamentos forçados e prejuízos à saúde física e mental das populações atingidas. Também há tendência de crescimento de refugiados climáticos, impulsionados por condições de vida insustentáveis em áreas de risco.
Diante do cenário, especialistas defendem estratégias sustentáveis para adaptação climática, com foco especial nas cidades. O estudo também relaciona o aumento dos desastres à influência das mudanças climáticas globais, especialmente o aquecimento nas regiões polares, que altera o regime de chuvas em todo o território brasileiro.
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