Tuesday, 09 de June de 2026
16/05/2022   16:50h - Economia

Crise chinesa atinge indústrias no Brasil e deve afetar inflação

A desaceleração da economia chinesa, provocada em parte pela política de covid zero - com lockdowns extremamente rigorosos -, terá impacto também na economia brasileira.

 

A dificuldade de importar produtos da China, principalmente insumos para a indústria, se reflete nos preços e deve contribuir para manter a inflação em alta.

 

Segundo o presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, já há reflexos nos custos dos produtos vindos de fora. Em abril, os preços das importações, em dólares, subiram 34,4%, com recuo de 6,9% nas quantidades.

  

Para o economista Lívio Ribeiro, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a combinação dos novos lockdowns na China com estragos provocados pela guerra entre Ucrânia e Rússia deve levar a um mundo com inflação mais elevada por mais tempo.

  

Em algumas empresas, o efeito do lockdown chinês já é sentido na pele. A Ecosan, fabricante de equipamentos para tratamento de efluentes domésticos e industriais, importa da China componentes como chapas de inox e produtos químicos para o tratamento de água.

 

Normalmente, os bens levavam de 45 a 60 dias para chegar ao Brasil, prazo que passou a cem dias após a pandemia. Agora, com o novo lockdown, pode chegar a 120 dias.

 

Já a indústria farmacêutica contabiliza um atraso de cerca de 20 dias na entrega de matérias-primas compradas da China. Os problemas de fornecimento também são vistos no comércio. As lojas da Rua 25 de Março, centro de comércio popular de São Paulo, começam a sentir a falta de alguns campeões de venda, como os carrinhos Hot Wheels. 

 

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