Uma pesquisa internacional identificou duas novas espécies de bugios na Amazônia, ampliando o conhecimento sobre a biodiversidade da região. O estudo, publicado em 30 de outubro de 2026 na revista científica Communications Biology, utilizou análises genéticas, características morfológicas e dados de campo para reconhecer os primatas. A descoberta ocorre 84 anos após a última descrição de uma nova espécie do gênero, conhecido também como guariba.
As espécies identificadas são o bugio-vermelho-do-Pantepui (Alouatta iroi) encontrado no noroeste amazônico, em áreas entre o norte do Amazonas, Venezuela e Guiana, e o bugio-vermelho-do-Mato-Grosso (Alouatta matogrossensis) distribuído entre os rios Madeira e Teles Pires, em regiões de Rondônia e Mato Grosso. Os pesquisadores apontam que grandes rios, como o Amazonas, o Branco e o Xingu, atuaram como barreiras naturais, isolando populações e favorecendo sua diferenciação evolutiva.
A descoberta também acendeu um alerta para a conservação dos animais. O habitat do bugio-vermelho-do-Mato-Grosso está situado no chamado Arco do Desmatamento, região pressionada pela expansão agropecuária e pela fragmentação florestal, o que pode colocar a espécie em risco crítico de extinção. Já o bugio-vermelho-do-Pantepui enfrenta possíveis impactos de empreendimentos e das mudanças climáticas. Os cientistas defendem avaliações urgentes do estado de conservação e medidas para proteger as populações recém-identificadas.
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