O Brasil enfrenta um cenário alarmante de alta no número de golpes e fraudes. Segundo a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país contabilizou 2,2 milhões de ocorrências de estelionato no último ano, o equivalente a 258 casos por hora, representando uma alta de 429% em relação a 2018. O crime se consolidou como a principal infração patrimonial do país, impulsionado pela digitalização e bancarização.
Em contrapartida, os roubos convencionais registraram queda geral de 18,3% no mesmo período, incluindo reduções em roubos de veículos, residências, comércios e a transeuntes. O estado de São Paulo lidera o ranking de estelionatos, tanto em números absolutos quanto na taxa por habitante.
Paralelamente, o sistema de Justiça apresenta um baixo índice de responsabilização: dos mais de 2 milhões de casos notificados às autoridades, apenas uma pequena fração resultou em ações penais instauradas e prisões ao longo do ano. Para combater a impunidade e desarticular os esquemas, foram promovidas alterações recentes na legislação brasileira. O estelionato passou a ser enquadrado como crime de ação penal pública incondicionada, permitindo que o Ministério Público processe os autores independentemente da manifestação formal ou representação da vítima.
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