O partido Alternativa para a Alemanha (AfD), classificado como de extrema direita, está reavaliando sua postura em relação à União Europeia (UE) e à moeda única europeia, o euro. Fundada em 2013 com oposição aos resgates financeiros durante a crise da zona do euro, a legenda vem reformulando suas propostas diante do crescimento eleitoral e da possibilidade de ampliar sua influência no governo federal alemão até o fim da década. A mudança ocorre em meio ao fortalecimento de partidos de direita em diferentes países europeus.
A copresidente da AfD, Alice Weidel, apresentou um documento estratégico chamado “New Deal para a Europa”, que propõe renegociar os tratados europeus para criar uma união menos centralizada. A iniciativa prevê mecanismos que permitam aos países se afastarem de determinadas políticas comuns, como imigração e gastos com defesa, além de regras orçamentárias mais rígidas. A proposta mantém aberta a possibilidade de a Alemanha continuar utilizando o euro, em vez de abandonar a moeda e o bloco europeu.
Apesar da revisão, o tema continua provocando divergências internas. Integrantes mais jovens da legenda defendem que abandonar o euro poderia prejudicar a economia alemã, fortemente dependente das exportações e do mercado europeu. A AfD também busca se apresentar como uma possível parceira política, embora a União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, ainda descarte uma aliança. O debate reflete uma tentativa do partido de conciliar suas origens eurocéticas com a busca por maior influência política.
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