Tuesday, 09 de June de 2026
12/07/2022   11:08h - Justiça

Justiça conclui que namorada atirou em delegado e se matou após discussão em prédio no ABC Paulista

A Justiça de São Paulo concluiu que um delegado e influenciador digital foi baleado pela namorada modelo e que ela se matou um dia após uma discussão entre o casal dentro do prédio dele, no ABC Paulista. O caso ocorreu em 20 de maio de 2020 em São Bernardo do Campo e teve repercussão na imprensa à época.

 

De acordo com a Polícia Civil, Priscila Delgado Barrios tentou matar Paulo Francisco Muniz Bilynskyj por ciúmes e depois tirou a própria vida. Ela tinha 27 anos. Esta também foi a versão do delegado, que tomou seis tiros e sobreviveu, após passar por cirurgias. Neste ano, teve de amputar o dedo médio da mão direita, que foi atingido pelos disparos, perdeu os movimentos e teve complicações.

 

A perícia Polícia Técnico-Científica analisou a residência e também comprovou por laudos o relato do policial.

 

Como a autora dos disparos se matou, o Ministério Público (MP) pediu o arquivamento do caso, que foi investigado e concluído como tentativa de assassinato e suicídio pelo 1º Distrito Policial (DP) da cidade.

 

A Justiça arquivou o inquérito em 15 de junho de 2021. O caso estava sob sigilo judicial, que foi parcialmente suspenso há alguns meses.

 

Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria da Polícia Civil ainda apura, no entanto, a conduta de Paulo no caso, mas na esfera administrativa.

 

Nota – O delegado Paulo Francisco Muniz Bilynskyj, 35, escreveu uma nota na qual lembra que a decisão da Justiça confirmou o que ele sempre havia dito: de que foi "vítima de uma tentativa de homicídio". No texto, Paulo também critica, de maneira geral, a cobertura da imprensa no caso. Afirma que, segundo ele, o acusou de ser "feminicida".

 

A advogada do delegado, Priscila Silveira, confirmou a decisão da Justiça pelo arquivamento. Segundo ela, que preferiu não dar mais declarações sobre o caso, seu cliente chegou a divulgar essa informação em suas redes sociais, no ano passado.

 

O delegado é conhecido na internet por postar diversos vídeos, fotos e mensagens sobre seu trabalho, além de dar aulas como instrutor de tiro. Ele tem mais de 680 mil seguidores no Instagram.

 

Por meio de uma nota Paulo declarou:

 

"No dia 20 de maio de 2020 fui vítima de uma tentativa de homicídio, fui baleado 6 vezes, no peito, mão, braços e pernas. Permaneci entre a vida e a morte por 11 dias na UTI, passei por 3 cirurgias, tive o peito e o abdômen aberto.

 

Passei por um período de recuperação que ainda não se encerrou, recentemente sofri a amputação de um dedo, que tentei sem sucesso reparar com mais de 8 cirurgias.

 

O que mais me choca foi a forma criminosa como fui taxado pela mídia que, sem nenhuma prova, me acusou de feminicida.

 

O crime praticado contra mim foi apurado por um extenso Inquérito Policial, foram realizadas perícias que em 5 anos como Delegado atuante no Departamento de Homicídios nunca vi serem realizadas.

 

Em junho de 2021 o Inquérito concluiu o óbvio, que eu tinha sido vítima de uma tentativa de homicídio e que a autora suicidou-se.

 

O Ministério Público opinou pelo arquivamento do caso, tendo em vista a morte da autora.

 

O Juiz do caso determinou o arquivamento.

 

Por fim, deixo claro que sofri duas tentativas de homicídio, uma por uma mulher, outra por todos os repórteres que divulgaram informações falsas e absurdas sobre o caso.

 

Sinto-me extremamente decepcionado com a mídia e sua falta de honestidade intelectual. O mínimo que deveriam ter feito era um pedido formal de desculpas pelas falsas notícias divulgadas.

 

Dois anos do fato, um ano da decisão judicial e ainda assim nenhuma palavra."

 

Defesa de Priscila Delgado – Para o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa, que defende os interesses da família de Priscila, os pais dela ainda querem saber mais detalhes do que levou a filha deles a atirar em Paulo e depois se suicidar. Ele quer saber, por exemplo, se o namorado da modelo a instigou ou não a cometer o suicídio.

 

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